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Raízen foge da negociação e emperra campanha salarial
O Sinergia Gasista não consegue dar continuidade à campanha salarial e à construção do primeiro Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) na Raízen. Isso porque a empresa tem se negado à dar sequência às reuniões de discussão da proposta.
O mais recente encontro que deveria ter ocorrido em 25 de junho foi adiado pela empresa para 2 de julho e depois desmarcado sem a definição de uma nova data. Em seguida, foi sugerido o dia 21 de julho, mas também cancelado e uma nova reunião reunião foi reagendada para o próximo dia 24.
As alterações colocam em xeque a relação de confiança entre sindicato e a companhia e dificultam a resolução de problemas como o fim da escala de trabalho 5 x1. A direção da Raízen ignora as reclamações dos e das gasistas e as reivindicações por uma jornada que garanta qualidade de vida e profissional.
O Sinergia Gasista já cobrou a construção de soluções, mas sempre ouviu que não há condições financeiras. Em agosto de 2024, a empresa divulgou que o lucro líquido no primeiro trimestre da safra subiu para R$ 1,1 bilhão, uma alta de 59% quando comparado com o mesmo período da safra 2023/2024.
A Raízen, controlada pelo Grupo Cosan, é conhecida pelos altos ganhos de produtividade, escalabilidade de negócios e é incoerente alegar falta de recursos para contratar mais trabalhadores e trabalhadoras, enquanto mantém metas de expansão e fornecimento ativo para a Comgás.
O sindicato propõe uma jornada de 12×36, que além de ser amplamente utilizada em diversas indústrias do setor energético, oferece mais previsibilidade e possibilidade de descanso.
Secretário-geral do Sinergia Gasista, Rafael Magalhães, aponta que o modelo adotado prejudica quem trabalha, mas também pode afetar o consumidor, diante da iminente queda na qualidade de produção por conta do cansaço.
“A jornada 5×1, somada ao revezamento de turnos, compromete o convívio familiar, o lazer e a saúde mental dos empregados. Eles sobrevivem, não vivem. E quando a empresa propôs congelar o revezamento, o que seria um passo ainda mais cruel, a categoria rejeitou, porque o salário é baixo e o adicional noturno é muitas vezes a única forma de complementar a renda”, disse.
O dirigente alerta ainda que o sindicato não medirá esforços para negociar um modelo de produção que não seja baseado na exploração de gasistas.
“Se a empresa quer crescer com responsabilidade, ela precisa entender que isso não se faz apenas com tecnologia ou metas de produção, mas também com respeito a quem está fazendo girar essa engrenagem e com negociação de quem os defende. O discurso de inovação que a Raízen tanto usa precisa alcançar as relações de trabalho e não permitiremos a perpetuação de uma estrutura que sacrifica a vida de trabalhadores e trabalhadoras”, diz.





