Proposta apresentada pela empresa desconsidera dedicação dos trabalhadores

Em campanha publicitária, Comgás fala de respeito, mas, na mesa de negociação não pratica o que prega (Foto: Divulgação)

A terceira rodada de negociação da campanha salarial demonstrou que “manter a chama do orgulho e do respeito sempre acesa”, como prega a campanha da Comgás para o mês do Orgulho LGBTQIA+, é apenas uma frase bonita numa peça publicitária.

O que se viu na proposta apresenta pela empresa em reunião com a direção do Sinergia Gasista nessa terça-feira (22) foi vergonha e desrespeito com a categoria que fez com que a companhia lucrasse R$ 498,9 milhões apenas no primeiro trimestre deste ano. Uma elevação de 58,9% em relação ao mesmo período no ano passado.

Apesar disso, a Comgás ofereceu um abono de R$ 1 mil para todos e apenas 5% de reposição inflacionária a partir de dezembro 2021, para salários até R$4.188,28. Salários acima deste valor, teriam reajuste fixo de R$209,41.

Com isso, além de dividir a categoria e não considerar um período retroativo de perdas inflacionárias, o aumento cairia conforme o salário crescesse. Para o sindicato, cada trabalhador e trabalhadora, de todas as funções, são importantes e não há acordo sobre dividir a base no momento de negociação ou excluir setores como o administrativo da justa distribuição dos ganhos.

Outro ponto que gerou críticas foi a não prorrogação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), o que manteria em vigência o contrato fechado até 2022 e abriria precedentes para que empregados e empregadores voltassem a negociar em um ambiente de maior fragilidade econômica.

O objetivo da extensão do ACT é sempre fazer com que os diálogos aconteçam de maneira mais tranquila e com segurança para os gasistas e as gasistas.

A discussão sobre os índices do vale refeição (VR) e do vale alimentação (VA) ainda não entraram na pauta.

Vergonha

A proposta que recebeu críticas imediatas dos negociadores do Sinergia Gasista e foi rejeitada rem reunião da direção, aponta que a postura da empresa vai contra a ideia que trouxe na primeira reunião de estabelecer novo canal de diálogo entre o sindicato e a empresa.

“A Comgás mantém velhas práticas e incentiva o medo, faz com que o gasista e a gasista atuem com insegurança”, aponta o secretário-geral do sindicato, Rafael Magalhães.

A próxima rodada de negociações está marcada para terça-feira (29), quando o Sinergia Gasista voltará a cobrar que a companhia realmente acenda a chama do orgulho e do respeito com os trabalhadores e trabalhadoras.