Após muita luta e mobilização, os movimentos sindical e sociais conseguiram que o Senado aprovasse nessa quarta-feira (14) o último passo que faltava para acabar com a jornada de seis dias de trabalho com apenas um de folga, a chamada 6 x 1.

Com o parecer favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o tempo máximo de trabalho será de 40 horas na semana, com dois dias de folga remunerada.

Para isso, a mudança passará por um período de adaptação, em 60 dias a contar da promulgação da medida, a jornada passará para 42 horas e depois de 12 meses, efetivamente haverá a implementação das 40 horas.

A alteração afetará diretamente a qualidade de vida dos e das gasistas. Entre as empresas com trabalhadores e trabalhadoras representados pelo Sinergia Gasista, somente a Comgás possui escalas de 40 horas. Todas as demais companhias mantêm turnos superiores a isso, o que demandará uma negociação com o sindicato.

A luta não pode parar

Porém, a vitória para toda a classe trabalhadora pode estar com os dias contados. Isso porque o candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) tem defendido uma proposta de reforma trabalhista que não acaba apenas com a redução, mas com todos os principais direitos.

Bolsonaro, que sempre se posicionou contra a PEC, defende uma proposição que troca a CLT (carteira assinada) por MEI (microempreendedor individual), possibilita o pagamento por hora trabalhada (o trabalhador não receberia por final de semana, férias afastamento em caso de doença) e faz com que o empregado discuta com o empregador as condições de trabalho, sem um arcabouço legal que protege a parte mais frágil da negociação.

Portanto, caso Flávio seja eleito, a redução da jornada pode perder o efeito. Uma das referências do candidato bolsonarista para a mudança é a Argentina, governada pelo também representante da extrema-direita, Javier Miliei.

Por lá, a reforma trabalhista permitiu a criação de jornadas de até 12 horas, reduziu o valor das indenizações por demissão sem justa causa, com possibilidade de parcelamento dos valores, e restrição ao direito de greve.

A medida vai na contramão até mesmo da América Latina. Desde 2021, Chile, Colômbia e México aprovaram leis que diminuem as jornadas de trabalho.

Os resultados foram catastróficos: o poder de compra do salário mínimo caiu cerca de 40%, entre novembro de 2023 e setembro de 2026. A política de arrocho resultou ainda no fechamento de 31 mil empresas e acabou com 245 mil empregos.